sábado, 29 de agosto de 2015

Será que vale a pena?

Duvido que esta pergunta não tenha assaltado a mente de todos os brasileiros nestes tempos de turbulência moral. Será que vale a pena?
           
            São tantos os “será que vale a pena?” que nos perguntamos que se formos fundo em sua análise podemos até cair em profunda depressão. Aqui vão algumas dessas perguntas:

1.      Será que vale a pena ser honesto?
2.      Será que vale a pena ser ético?
3.      Será que vale a pena ser justo?
4.      Será que vale a pena ser fiel?
5.      Será que vale a pena ser paciente?
6.      Será que vale a pena ser humilde?
7.      Será que vale a pena ser correto?
8.      Será que vale a pena falar a verdade?
9.      Será que vale a pena ensinar nossos filhos os valores morais tradicionais?
10. Será que vale a pena estudar?
11. Será que vale a pena trabalhar tanto?
12. Será que vale a pena ler jornais, ouvir e ver notícias no rádio e na TV?
13. Será que vale a pena não ser um alienado?
14. Será que vale a pena....?

E tenho certeza que o leitor completará esta lista com mais uns dez “será que vale a pena?”. Mas será que vale a pena completar esta lista, ou mesmo continuar lendo este artigo ou mesmo ler alguma coisa?

Nestes tempos de turbulência moral ficamos todos um pouco mais filósofos porque ficamos enojados de tanta lama e sentimos, como seres humanos, uma enorme falta de alguma coisa mais elevada, mais decente, menos nojenta para encher o nosso espírito e a nossa alma. Talvez esteja aqui um benefício a ser visto pelos que ainda tentam acreditar numa possível grandeza do espírito humano. Os grandes filósofos surgiram em épocas de grande turbulência histórica, de Sócrates a Sartre, de Epicuro a Kant, todos questionaram as mazelas do tempo em que viviam.
A verdade, porém é que ao chegar de um dia estafante de trabalho e assistir aos “não vi nada”, “não sei de nada”, “nunca estive lá”, temos uma enorme dificuldade de nos lembrar dos conselhos da Phronésis (filosofia prática) dos antigos atenienses. Somos invadidos por uma raiva silenciosa e, como disse um dos envolvidos, sentimos medo até de que sejam libertados em nós “os mais primitivos instintos” que mantemos cativos pela vida civilizada.

            A verdade é quando olhamos para o nosso contra-cheque vis-a-vis a nossas dívidas no cheque especial; quando vemos o cashflow negativo de nossa empresa e quando vemos tantas oportunidades de negócio que não podemos aproveitar por razões puramente éticas, novamente a pergunta “será que vale a pena?” nos vem à mente.

Portanto, nestes tempos de turbulência moral, parece que um novo dever ocorre aos honestos, aos éticos, aos empresários, presidentes, diretores, chefes que não se corromperam e se negam a deixar-se corromper. Acredito que seja o momento mais que oportuno de reunir nossos colaboradores e falar a eles, com toda a clareza que ainda valem a pena os princípios da moral e da ética. É preciso que eles saibam de nossa própria boca que ainda há pessoas que não se compram e pessoas que não se vendem. É preciso que nos vejam afirmar e reafirmar que ainda há motivos para ter esperança nas pessoas e neste Brasil, que por certo, mais uma vez, se mostrará machucado e combalido, mas ainda maior que a crise.(Luiz Marins)

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